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Mais do que um gênero musical, o Pagode 90 em São Paulo foi um movimento cultural forjado nas margens, impulsionado pela criatividade, pela coletividade e por uma complexa rede de agentes que operavam fora dos grandes centros de poder da indústria fonográfica.
Pagode 90: A saga paulista propõe uma imersão inédita nesse universo, reconstruindo a trajetória de artistas, empresários, casas noturnas e circuitos independentes que transformaram o samba em um fenômeno de massa a partir das periferias paulistanas.
A obra percorre desde os botequins e quadras de escola de samba — como o emblemático Botequim do Camisa — até espaços icônicos como a casa noturna Só Pra Contrariar, no Bixiga, revelando como esses territórios funcionaram como verdadeiros laboratórios musicais.
Ao mesmo tempo, evidencia o papel estratégico de produtores, radialistas e empresários, responsáveis por articular festivais, programas de rádio e gravações que dariam visibilidade a novos talentos.
Um dos eixos centrais do livro é a análise das coletâneas e festivais da década de 1990, que operaram como plataformas de lançamento para inúmeros grupos.
Discos coletivos, muitas vezes produzidos de forma independente, foram decisivos para a circulação de repertórios e para a consolidação de uma identidade sonora própria, hoje reconhecida como Pagode 90.
Nesse contexto, o autor demonstra através dos fatos históricos dos movimentos culturais iniciados pelas principais equipes de bailes o surgimento não apenas de novos artistas, mas de verdadeiros protagonistas de uma engrenagem cultural coletiva.
A partir de fontes raras, depoimentos e registros fonográficos, Pagode 90: A saga paulista constrói uma narrativa que articula música, mercado e território, evidenciando como o pagode paulista se estruturou como um movimento cultural e social envolvido pelo caráter econômico e socialmente representativo.
Trata-se de uma história de resistência e inovação, na qual a periferia não apenas consumiu cultura, mas produziu, distribuiu e redefiniu os rumos do samba contemporâneo no Brasil.
Este livro é, portanto, um convite à redescoberta de uma cena que, embora muitas vezes marginalizada pela historiografia oficial, foi fundamental para a consolidação de uma das expressões mais populares da música brasileira no final do século XX e início do século XXI.





