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Idalina Pereira Coelho é natural de uma pequena aldeia do concelho de Resende, distrito de Viseu, em plena serrania na Beira Alta.
Ali nasceu em 7 de Fevereiro de 1959, partindo para Angola quando tinha 7 anos, integrada numa numerosa família de parcos recursos.
Era a sexta dos filhos do casal, que ainda viria a ter mais dois elementos na prole.
Atingida por uma meningite, cegou em muito tenra idade e assim, desde cedo sentiu o
peso da descriminação resultante dessa deficiência, o que re condicionou fortemente os primeiros anos da vida... E os restantes também!
Em Fevereiro de 1973, ingressou no Instituto Óscar Ribas, uma escola vocacionada para a habilitação e reabilitação de deficientes visuais, recém aberta em Luanda, onde iniciou os seus estudos, fazendo o exame da 4ª classe no ano de 1974, como aluna externa, perante um júri nomeado pela escola oficial da área de localização do Instituto.
No ano lectivo de 1974/75, ingressou na Escola Preparatória D. João I, em Luanda, sendo uma das duas primeiras pessoas cegas a frequentar uma escola de ensino regular oficial, naquilo que foi uma prática de integração, a nível de Portugal, e que deu resultados positivos.
Regressando a Portugal, na prespectiva da independência de Angola poder configurar uma situação de guerra, como de facto aconteceu, retomou os estudos que, por razões diversas, só levaria ao 11º Ano, incompleto, vindo a concluir o 12º muito recentemente.
Perante a necessidade de angariar meios de subsistência, coisa que a cegueira complicava, trabalhou como telefonista, vendeu lotaria e regressou aos telefones, sendo
actualmente operadora num agrupamento de escolas em Peniche.
Jamais virou a cara à luta, nomeadamente ao constituir família, seguindo sempre de muito perto o crescimento dos dois filhos, quer no aspecto físico quer no da formação social e intelectual, no que fazia questão de se empenhar, por forma a que eles não viessem a ser estigmatizados pelo facto de terem pais cegos.
Desde cedo experimentou criar textos, tanto em verso como em prosa, mas só recentemente decidiu lançar mãos a um texto de certo fôlego, “Porta Fechada”.
Não é, pois, uma escritora, mas tão somente alguém que gosta de escrever, que tem grande imaginação e, principalmente, uma mão cheia de memórias, de algumas das quais desconhece a origem.


