Nascida das rochas espumadas pelo coração da ilha, do ventre mais cândido e das entranhas mais severas (que a minha idade imaginava), nasci num ano da graça, graça destes trinta e dois anos de ventura.Nascida sob o signo das letras, pelas letras estudei e me formei, doutora me tornei e mestra de outros destinos me achei. Pela ponta do lápis e brancura das páginas, rabiscando, tentando crescer, fazendo vou.Por entre os mundos que as doces penas sinto o que as duras penas escrevem, deambulo entre o ser e o não ser, o que sou e o que estou.Por entre números irreais, palavras ditas e não escritas, escritas e não reveladas, meu caminho teço, minha luta construo, batalhando entre os meus seres, que de dentro pelejam sem cortes, sangrentos, à mostra, vencendo hoje, perdendo ontem, ganhando a força de os libertar, de os fazer ler, agora.