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Nasci em Torres Novas, no ano de 1955, e fiz os primeiros estudos secundários em Santarém. No início de 1969 a família mudou-se para Chaves, lugar que eu nem sequer conhecia das aulas de Geografia. Mas, assim que cheguei, o espanto pela diversidade foi-me desocultando a paixão, também no linguajar diferente e nos nomes outros que por lá davam às coisas. Morava ali, certamente, a matriz da língua portuguesa, que as declinações do latim tinham estruturado e o praguejar bárbaro dos suevos tinha condimentado.
Um pouco mais acima, para lá da raia, numa terra onde clandestinamente íamos comprar caramelos, também o linguajar era semelhante, as coisas e os bichos respondiam pelos mesmos nomes, afinal, com palavras filhas da mesma mãe, que só a história política teimava em tratar como desiguais. A minha terra passou a ser aquela língua galaica comum, de consoantes firmes, vogais abertas e doces ditongos.
Terminado o secundário, em 1972, já no Liceu Nacional de Chaves, rumei à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde o estertor do regime deixava aspirar o fascínio dos aromas libertários, e as acções de rua deixavam pouco tempo e entusiasmo para as entediantes aulas dos catedráticos. Depois de Abril, a democracia exigia alfabetização, e entrei na Escola do Magistério de Chaves, disposto a ser mestre-escola e missionário das primeiras letras. Nas décadas seguintes, fui cumprindo o sonho.
Depois de diversas incursões na política activa, voltei ao fascínio da didáctica e aprofundei a vocação com o doutoramento em ciências da educação, na Universidad de Sevilla. Nos últimos anos de docência, abordei os desafios do ensino universitário.
Escrevo quase sempre no registo lexical dos vales do Tâmega, dos planaltos do Barroso e da Terra Quente, rejeitando ostensivamente as regras do famigerado acordo ortográfico. Continuo a saborear as palavras, e deleito-me a colar significantes símbolos gráficos aos significados que já me alimentaram horas felizes, arriscando também reconstruir memórias e despertar evocações aos meus surpresos leitores.


