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Luísa Ramos

Nasci no Sul de Portugal num dia já muito recuado no tempo. Era dezembro de 1954.O pai determinou que o meu nome fosse Maria como a maior parte das mulheres da família e Luísa, porque Eça de Queirós havia pintado imensos quadros humanos, onde Luísa carregava o peso da sua colheita.

Na escola, o percurso foi o de uma qualquer criança. O sucesso esteve sempre ao meu lado. Chegaram os meus 18 anos. Era chegada a hora de dizer adeus ao mar para vir fazer carreira em Lisboa, cidade académica por excelência.

Matriculada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Universidade Clássica) em Línguas e Literaturas Modernas era a hora de provar que tinha apetência para a escrita. O enigma desvendou-se quando o Dr. António José Saraiva – que hoje descansa no seio dos deuses maiores – me pediu que escrevesse – não para o meu álbum de recordações - mas para o Homem, falando de tudo e de nada, porque até o NADA era um Ensaio sobre a Felicidade. Prometi-lhe que, quando acabasse a licenciatura, e portadora de mais tempo, me dedicaria ao trabalho da feitura de texto, por onde passasse uma corrente de água límpida, que ajudasse o Mundo a crescer. Mas, veio o primeiro emprego: ensinar a língua de Camões aos alunos, e levar os alunos a amar a produção literária (professora de português do ensino secundário). Comecei – depois de já pertencer ao quadro de nomeação definitiva de uma escola secundária (Anselmo de Andrade em Almada) - a passar para o papel tantos valores experimentados, e uma série inesgotável de filmes reais, que acabaram por sair publicados. Foi no dia 13 de maio do ano de 2000 que nasceu o meu primeiro livro, uma cantata de angústias exploradas em verso simples. Dei-lhe o nome de ENCONTREI-ME. Mas a vontade de continuar a dizer o que via, sentia e auscultava era de tal ordem forte, que acabei por a 9 de dezembro, também de 2000, colocar uma panóplia de versos ao serviço da minha cidade natal LAGOA, MUSA POÉTICA. Esta foi uma dádiva que paguei com suor e lágrimas ao espaço que me viu nascer. O produto da venda foi doado à sua Misericórdia e foram os idosos – os esquecidos da vida – aqueles que lucraram com os muitos cânticos de dor, nostalgia e efusão feitos sobre eles e para eles. Em 2002 publiquei um conto, ENQUANTO AMÚSICA SE CHAMAR MAR E SAUDADE onde decalquei a preocupação com a falta de justiça no mundo que é nosso. Utilizei depois a web como fonte onde despejei o meu capricho de vetar a existência do mundo às avessas. Escrevi crónicas sobre crónicas e hoje – cansada mas feliz – quero continuar a «gritar» que o mundo não se pode perder atrás de ideais desmedidos. Hoje, a viver em Almada e professora de português na Secundária Professor Ruy Luís Gomes tenho o gosto de ver voarem os meus textos (da crónica o romance, passando pelo conto) para as mãos de muitos que queiram, como eu, parar para pensar, aquando da leitura do Mundo. Para isso desço diariamente a escada íngreme da vida e vejo tanta disforia, que acabo por passar para o papel verdadeiras histórias de amor e ódio, onde não falta o velho perdido, o ardina vencido, a mãe esquecida e outros tantos protótipos da sociedade que é nossa.

Colaboro também sempre que possível (2014/15) em Antologias Poéticas onde digo o que sinto em verso.

Se me dão licença, deixem-me continuar a gritar que este vendaval de emoção dará frutos, não tarda!

 

 

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