Mário Leston-Bandeira é professor catedrático jubilado. Nasceu na Pampilhosa, terra de fábricas e altas chaminés, lugar de cruzamento de comboios, o rápido Lisboa-Porto que disparava pelos carris como uma seta prateada, o sud-express azul escuro com dourados, que pachorrentamente arrancava para Paris quase ao pé da sua casa. Teve uma infância feliz sonhando com viagens para longe. Estudou no liceu, primeiro em Coimbra e, depois em Nova Lisboa e em Sá da Bandeira, Angola. Voltou para Coimbra, estudou filosofia, mas licenciou-se na faculdade de Letras do Porto. Durante esse tempo, enquanto ia estudando, trabalhava nas bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian e, assim, começou a conhecer o país rural que emigrava. Continuou a estudar filosofia em Paris, na Sorbonne, mas, ao fim de um ano, converteu-se à Demografia. A Demografia foi a sua primeira escola prática de literatura. Descobriu que era uma ciência da vida e da morte, das pessoas e do casamento, do amor e dos filhos, do tempo, da idade e das gerações. Quando foi o 25 de Abril, era funcionário da OCDE em Paris, mas resolveu regressar a Portugal. Instalou-se em Lisboa, deu aulas num instituto universitário mas, no pós-PREC, ele e a maioria dos seus colegas estrangeirados foram postos fora. Viveu outras experiências depois deste episódio, fez filmes “sociais” para a televisão, sobre a velhice e sobre as mulheres, viajou pelo mundo. Acabou por regressar à carreira universitária e concluiu o doutoramento em Sociologia. Deu aulas, orientou teses, fez investigação, publicou livros e artigos. Continua a viajar através dos livros que outros escreveram.