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Sílvia Baptista nasceu numa aldeia do verdejante Minho em 1946.
Aos dois anos de idade, partiu com os pais e uma das irmãs para o Congo, colónia africana pertencente à Bélgica.
Dessa vivência, recorda as diferenças sociais muito marcantes.
A cor da pele dos residentes era refletida no tipo de construções escolares e de habitação, bem como no acesso aos cuidados de saúde.
Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tornou-se professora e, ao longo da sua carreira de 36 anos, assumiu, como responsabilidade, a promoção, entre os alunos, de valores de educação e cidadania.
Nos últimos seis anos de docência, representou o seu estabelecimento de ensino no Programa de Intervenção Comunitária de Sacavém (PIC), na Rede Social de Loures, no Projeto Esperança, do bairro municipal da Quinta do Mocho, em Sacavém, e no Projeto À Bolina, no bairro de barracas do Alto da Serra, no Prior Velho.
Neste âmbito, colaborou com outras instituições ou entidades na integração de crianças no sistema escolar, na inclusão e na reinserção de jovens.
Desta experiência em comunidade, foi possível verificar como o estigma associado às crianças e aos jovens pode resultar no seu insucesso escolar e na sua exclusão social.
Trabalhou com a jornalista Lígia Calapez para produzir o livro Quinta do Mocho.
Era uma vez um bairro de má fama… Quatro dezenas de entrevistas, realizadas em 2012 e 2013, a jovens e a adultos com responsabilidades comunitárias, habitantes num bairro camarário de Loures, revelam como são afetados por um forte estigma proveniente do exterior do bairro.
(https//iceweb.org/edições).
Em 2023, foi publicada a sua obra Sol de Inverno, sob o nome de Elisa Saraiva, e editada pela Flamingo Edições.
O conto aborda um quadro pintado por Lino António em 1917, cujo paradeiro é desconhecido.
A narrativa foca-se no quadro, desencadeando fortes emoções numa família e revelando segredos do passado.
Sílvia Baptista, na situação de reforma, continua a desenvolver o seu trabalho criativo de escrita.


