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Túlio Augusto de Lucena Mendonça Machado de Araújo, nasceu nos idos 1962, numa Coimbra de greves universitárias, molhada de baldes de água e sabão lançados no asfalto, para provocar a queda dos cavalos da GNR. Órfão de pai antes das primeiras letras, é educado pelos avós monárquicos, com esgrima, equitação e muito Júlio Verne, Fernando Pessoa e todo o Eça e Camilo. Cruza-se e recruza-se com o reservado Miguel Torga, na Rua Ferreira Borges, ao café Arcádia, enquanto tomava um colonial e na Universidade envolve-se na restauração da praxe da capa e batina, então proibidas pela censura social. Forma-se em Direito em 1986, numa era pós revolucionária, em cicatrização.
Terminado o curso ruma à Rua de Santa Catarina, no Porto, onde se torna advogado. Chamado ao serviço militar obrigatório, a Tavira, conclui o mesmo na Academia Militar, nos Paço da Rainha, que o traz para Lisboa. Vai a Coimbra buscar mulher e filha e fixa-se, até hoje, na capital das ruínas do império luso, agora desprovido de províncias ultramarinas que obrigam virar o país para a União Europeia. Divide-se com Sintra, onde descansa. Cruza-se com Sebastião Alba, por trabalhar com uma das filhas do poeta e aprende que não se faz poemas, a poesia é que nos faz a nós. Frequenta o mestrado em Ciências Jurídicas na Universidade Autónoma de Lisboa, o curso de Gestão na Universidade Aberta e outros complementos de capacidades profissionais na área da advocacia e da gestão de empresas na área dos serviços. Acaba por dividir a sala de audiências, onde diz sentir-se tubarão martelo (animal que cheira o sangue a mais de trezentos quilómetros de distância), com experiências na gerência de empresas ligadas ao comércio internacional e local. Com facilidade para línguas, começou cedo no interail e precisa de uma viagem higiénica regular ao estrangeiro. Marido, pai de uma filha, de dois netos e patrono de vários estágios gosta de repensar as questões e transmitir o conhecimento. A poesia surge como em telas brancas, que pintada com palavras cruzadas, num desabafo de irreverência que lhe ficou da juventude do que não conseguiu dizer antes, no seu primeiro livro publicado, mas não o escrito.


