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Quando sonhar pouco mais é do que estar ausente da realidade.
Quando relembrar o sonho não passa de um despertar admirado para essa realidade.
Quando, descrever o que se viveu nesse sonho, não pretende ser mais do que um mero acto de rememoração.
Quando se perder a noção de que aquilo que se descreve sobre o sonho, está para além do próprio sonho, e se fica na dúvida se a escrita sobre o sonho é a própria realidade ou a realidade ainda é sonho, então o sonho deixa de ser sonho e questionamo-nos se não teremos vivido plenitude da sua existência.
Não se recordava exactamente que idade tinha quando a coisa se deu.
Repentinamente, imprevisivelmente, o que lhe aconteceu deixou-o de tal modo abismado que não quis acreditar:
“Conseguia perceber a linguagem dos animais!”
Nunca lhe tinha passado pela cabeça que eles se entendessem. Que falassem entre si. Que tivessem, cada espécie e cada origem, a sua própria linguagem. Como os seres humanos, consoante a sua raça, continente, país ou região.
Assustou-se tanto com aquilo, que resolveu viver em silêncio aquela descoberta.
Até que, no dia da morte do pai...
O QUE O LEITOR IRÁ LER A SEGUIR BEM PODERIA TER-SE PASSADO CONSIGO, NA SUA VIDA REAL OU NA SUA IMAGINAÇÃO OU, SIMPLESMENTE, TUDO NÃO TER PASSADO APENAS, DE UM SONHO.




















