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Era julho e as aulas tinham acabado…
Assim começa por escrever Pedro, 16 anos, no seu inseparável caderninho, no primeiro dia de férias na Fonte da Telha.
Estamos nos anos sessenta do século XX.
O rapaz sabe que vai reviver velhas amizades e fazer novos amigos.
Espera divertir-se, como nas aventuras do ano anterior.
Mas há coisas de que não suspeita.
Apaixona-se, descobre factos extravagantes, e é aceite pelos seus ídolos, mais velhos e politizados, vivenciando as mais fortes emoções.
Por isso decide ir contando, na primeira pessoa, o que vai acontecendo à sua volta.
De regresso às aulas, além de contestatário, é vocalista de uma banda, que, somada aos namoros e às festas, impedem o normal decurso dos estudos.
O sucesso do grupo é modesto, mas a vaidade proporcionada faz dele um bon-vivant, muito à custa de Romy, a nova namorada rica e exuberante.
Rosarinho dá-lhe explicações para que acabe o ensino secundário.
Porém, há um segredo que a família esconde de Pedro! Sofre uma depressão; é Rosarinho que o trata.
Agora Pedro trabalha e estuda arduamente.
A seguir, já na universidade, inspirado pelo amigo Daniel e por Rosarinho, ganha consciência política e envolve-se nas lutas estudantis.
Quem será afinal Rosarinho? Mantém ou não uma velha relação com Nelson, desde aquelas férias? Pedro fica indeciso entre ir à tropa e emigrar.
Escolhe a primeira opção.
A estada em África começa com um deslumbramento.
Chegado à Guiné, reencontra os seus indefetíveis amigos, Beto e Daniel.
Não podia estar em melhor companhia! Mas cedo se apercebe da violência e do absurdo da guerra.
No mato, para onde vai, não há ar condicionado.
E só existe um lema: Ou matas ou morres!
Pedro vivencia a mais dura das experiências.
Mas aprende muito sobre o país real e a natureza humana.
O estoicismo e a amizade são agora os valores que norteiam as suas prioridades.
Incapaz de aceitar a ideia de ferir e de matar, toma uma decisão arriscada, quando vem de férias à Metrópole.
Para tanto, vive várias peripécias, que descreve com emoção, incerteza e culpabilidade.
Com os sonhos sempre adiados, mas com a preciosa ajuda de Rosarinho, da família e dos amigos, aprende a gerir os sucessos e os desaires.
E revisita agora com saudade e ternura aquelas férias na Fonte da Telha, em que muitas das coisas que viriam a influenciar o seu futuro imediato e longínquo se jogaram e se precipitaram














