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“ - Eram umas sete da tarde de meados de Julho. O dia tinha sido muito quente mas aquela hora já havia sombras e alguma frescura. Eu passei pela porta da Câmara Municipal, e não vi nada. Pensei que a cerimónia já tivesse terminado. E fui para casa, descansar. Só no dia seguinte um colega alemão, o Hans, me disse, enquanto tomávamos uma bebida, pelo meio- dia, que não tinha havido sessão. Fiquei surpreendido. Mas só seis meses depois, entre o Natal e o Ano Novo, percebi o verdadeiro significado do que tinha acontecido. Deus escreve direito por linhas tortas.”
A cena passava-se, em meados de Junho de 2013, no gabinete de Sleep, no departamento de Recursos Humanos de uma empresa ligado ao vidro no centro de Portugal: Marinha Grande. A rapariga estava encarregue de fazer entrevistas de pré-selecção para um lugar na área da engenharia. O homem que estava diante dela era um quarentão, usado pela vida. O facto de estar desempregado acentuava o dramatismo do que dizia.
“ – Não sei se me entende. A partir daquele dia a empresa estava condenada. Podiam fazer campanhas publicitárias, dizer que lançavam novos produtos, fazer umas operações de charme lá na região, mas estavam arrumados internacionalmente e nunca mais se iam conseguir recompor. E nestes tempos de globalização quem deixa de ter contactos internacionais está perdido. Arruinaram a reputação que tinham. Para sempre. For good. There was no turning back.”
O homem estacou.

















