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Este é um pequeno livrinho de histórias médicas, todas elas vivenciadas na primeira pessoa.
Por metade são autênticas, mas mais ou menos dramatizadas, e por metade inverosímeis, ainda que igualmente reais, pelo menos em parte, quiçá muito pequenina.
Bem, talvez nada de que o leitor esteja à espera, afinal! Porque de um médico aguardam-se sempre livros que discorram sobre uma longa e florida experiência clínica.
E sempre feita de grandes êxitos! Se for um romance, ou um livro de histórias, que ele seja elegante, e de preferência de elevada sisudez, que saúde e medicina são coisas sérias! Esperam-se crónicas de grandes triunfos clínicos ou de grandes façanhas médicas e sociais.
Tudo em prol dos pobres, dos desgraçados, dos socialmente excluídos, dos sofredores de todos os gêneros, sexos e idades.
Os doentes têm sempre que ser fantásticas criaturas sofredoras e os médicos pequenos anjos da guarda, que noite e dia fazem do doente e do sofrimento a sua razão de ser e de existir.
Tantas histórias belas e mágicas a merecerem serem narradas! Tanta ostentação! E tanto engano! Por isso nasceu este livrinho, cínico e grotesco, surgiu assim como quando se espreme uma pústula.
Bem, não digo mais, devia era valorar a obra, não o contrário.
As personagens também são todas reais, mas o contexto em que aparecem, bem como os seus nomes ou apelidos, foram sempre alterados.
Os locais foram quase todos modificados, geralmente por já não fazer ideia de onde os acontecimentos realmente se passaram, até porque muitas histórias – quase todas – ocorreram no final dos anos de 1980 e nos anos de 1990.
Depois coube ao escritor imaginar em cima da realidade que o médico vivenciou.
Claro que às vezes imaginou com demasiada liberalidade! Mas imaginar é a última das nossas liberdades.
Ao menos é um livrinho pequeno e fácil de transportar, que não desencoraja, pelo seu peso e volume, o leitor menos afoito nas lides literárias.
E é um livro de contos, toda a gente merece pequeninas histórias, levezinhas, voláteis, que por momentos nos toquem os lábios com um sorriso.
Talvez…
António Duarte de Araújo














