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De todos os relatos que ouvi sobre o massacre no Carandiru, o que mais me chamou a atenção pela verossimilhança dos fatos foi o do Zé do Mato, ex-faxina do 5º andar do Pavilhão 9.
Mas de uma coisa eu tenho total certeza: esse fato ainda está muito mal contado.
Imagine que a maior chacina em presídios, na qual “111” presos são executados, acontece, por ironia do destino, no mesmo dia que nosso primeiro presidente eleito pelo povo após a ditadura é afastado depois de sofrer um processo de impeachment.
Tudo isso no dia 2 de outubro de 1992, uma sexta-feira, imagine se fosse numa sexta-feira 13.
No dia seguinte aconteceria o primeiro turno das eleições para prefeito de São Paulo, e o diretor da Casa de Detenção, J. I. Pedrosa, em entrevista, disse: “A situação está sob controle, há oito mortos”.
Foi o acaso que predestinou essa tragédia ou foi uma carnificina orquestrada com interesse político? Qual foi o critério que eles usaram para chegar ao número 111 de mortos, pois os números não batem…














