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Sobre a revolta, lembrava Albert Camus que a liberdade é esse nome terrível inscrito na carruagem das tempestades.
No Irão, esse nome ecoa hoje na voz das mulheres que recusam o véu e, mesmo sob o açoite das chibatas e a escuridão dos cárceres, ousam dizer: “Nós somos a tempestade”.
O véu que lhes é imposto oculta a carne, mas não cobre a verdade que carregam, nem encobre a tempestade que os céus da Pérsia, pesados da mais indomável promessa jamais feita à alma humana, já anunciam.
Elas são a tempestade.
Os opressores – que não compreendem a liberdade porque não compreendem nem a chegada das tempestades nem a determinação das mulheres – estão condenados a ser varridos por umas e por outras.
Elas são a tempestade.
Um dia, o longo mas já decrépito grilhão da teocracia iraniana será abalroado por uma tempestade persa com o nome de mulher. Porque na sua essência, o Irão será sempre persa e a mulher será sempre livre.
Os céus da Pérsia já não enganam e os véus do Irão já não aguentam. Elas são a tempestade.
- Parlamento Europeu, Estrasburgo,
27 de Novembro de 2024














