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— Todo o guineense é irmão de outro guineense.
Todo o guineense é pai, mãe, parceiro, filho ou neto de outro guineense.
A nossa diversidade étnica e cultural não é um obstáculo – é a nossa maior riqueza.
Foi essa diversidade que deu músculo e alma à luta armada.
Foi ela que nos deu a força moral para proclamar a independência sem pedir permissão.
Ninguém pode usar o que nos uniu para agora nos dividir.
Ficámos em silêncio. O peso das palavras reverberava no ar como um sino de catedral.
Olhei nos seus olhos e algo em mim se ergueu – como chama que desafia o vento.
— É evidente, camarada Amílcar — declarei com voz firme —, a unidade nacional não é
herança nem favor: é um compromisso. Um dever que se assume, se cultiva, se defende.
É obra diária, vigília contínua, pacto entre gerações.
E nós, os jovens, não permitiremos, jamais, que ela seja traída ou desfeita, seja por omissão ou por ambição.
Cabral sorriu.
Um sorriso sereno e profundo, desses que reconhecem na semente a promessa da floresta.
Colocou a mão sobre o meu ombro – firme, quente, leve como bênção e convocação.














