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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2021-01-13
Páginas:
326
ISBN:
978-989-52-9689-7
Colecção:
Palavras Soltas
Género:
Não-Ficção
Idioma:
PT
Sinopse

Quando se fala neste tema, a guerra colonial, os que lá fomos,

somos assaltados como que de um sentimento de medo interior

de criança mal comportada. Trocamos impressões entre nós e

respondemos arrediamente às perguntas dos mais novos, dos

poucos que ainda teimam em tentar saber afinal o que foi aquele

êxodo entre os anos 61 e 74, para Angola, a partir de 63 para a

Guiné e de 64 para Moçambique. A guerra não se explica.

Os políticos que na retaguarda não conseguem diluir as

divergências das palavras, mandam a guerra, com intransigência,

sangrando a juventude numa atitude imponderante que atropela

e espezinha a paz. É o segredo comum que nos une, porque

foram dois anos que viram crescer homens nas crianças que nós

éramos. Porque durante aquele tempo se acumularam vinte ou

mais anos de sofrimento, desespero e penas.

“Luís Pedrosa descreve sem lamechices ou subentendidos a

tragédia, mais uma, dum povo. Na primeira pessoa, límpido, cru.

Surreal. Sem dúvida surreal. Mas autêntico porque vivido, sofrido

e tatuado na alma, no mais profundo do seu ser. Não é uma

experiência pessoal, é a expressão cruel duma juventude varrida

por uma guerra, pela miséria, pela ganância pelintra dum povo

que foi grande em coragem, em inteligência, mas abandonou-se

à mediocridade dos perdedores. Sempre perdedores. Nascemos

na mesma rua. À beira do mesmo rio. Brincámos na mesma poeira.

Vi-o e não o reconheci quando a inclemente doença o ceifou em

pouco mais de um mês duma vida marcada a fogo pela guerra,

pela mediocridade duma época. Dói a simplicidade com que

relata a surrealidade que nos marcou a todos.”

Maria João de Sousa Carvalho

Outubro 2020

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