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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2016-08-31
Páginas:
122
ISBN:
978-989-51-8646-4
Colecção:
Prazeres Poéticos
Género:
Poesia
Idioma:
Pt
Sinopse

A publicação deste meu livro EM LETRA DE FORMA constitui da minha parte a realização de um grande sonho, e de um grande acto de coragem, que durou muitos anos, mais de (40) quarenta para o conseguir. Exprimo aqui nestes meus poemas, um sentimento de jovem apaixonado pela vida e não só... pois não foram assim muito fáceis os meus tempos vividos nos anos sessenta e setenta, dadas as imensas dificuldades que se me depararam, quer a nível pessoal, familiar e até de certo modo profissional. Nesses tempos de outrora, vivia-se com muito receio e até com um medo enorme duma Guerra Colonial, para a qual não sabíamos como ia acabar. Infelizmente acabou na forma triste que hoje conhecemos. Todos, ou quase... todos, (digo quase, porque há sempre alguns “afilhados”, que se escapam como a água pelos intervalos da chuva ou por entre os dedos das mãos quando se estão a lavar...) os jovens da minha idade já sabiam que iam lá parar com os costados, sem apelo nem agravo, para “servirmos de carne para canhão”, sem sabermos ao que íamos, e ao que íamos encontrar nessas lindas terras de África, no meu caso particular, nessas lindas terras de Angola! Quando embarquei no “Vera Cruz” no final de Março de 1968, para rumar a Luanda, foi como se tivesse havido um apagão na minha vida! Foi como se me tivesse deitadona minha cama e tivesse dormido em constante sobressalto, até ao dia do meu regresso no “Uíge” em meados de Maio de 1970... Já lá vão 47 anos, quase meio século de vida! O tempo passa e na maioria das vezes sem darmos conta disso! Como podem verificar, exprimo de modo bastante claro, o que foi a minha passagem por Angola, nalguns sonetos aqui publicados. Não “há amor como o primeiro”, dizem... e eu confirmo em absoluto. Havia uma menina da minha criação, que juntamente com outras meninas e outros rapazes que viviam na rua onde eu morava, que por ela me apaixonei! Foi uma paixão daquelas que nem vos digo, e que durou bastantes anos a passar... Nessa altura, os rapazes e raparigas, vizinhos ou não, brincavam na rua depois de saírem da escola, não havia e nem se sonhava sequer nas tecnologias que hoje existem, pois as nossas brincadeiras, os nossos brinquedos, inventavam-se! Os anos passam-se e tudo o que sonhamos ou desejamos, vai-se esvanecendo na vivência do dia-a-dia e do que temos de fazer para alcançarmos outros valores que nos sustentem, até quando o nosso Destino o determinar. Esse primeiro amor desvaneceu-se com a voragem do tempo, custou bastante a desaparecer, mas, o que o “Homem pensa, Deus dispensa”, pois abre-nos outras portas e dá-nos outros caminhos para percorrermos, sem ser aqueles que pensávamos ser os correctos para a busca da felicidade sempre desejada. Encontrei o meu segundo amor, que felizmente ainda nos dias de hoje faz parte da minha vida. Amor esse que me deu uma outra vida, da qual me orgulho tanto, pois tive o privilégio e a felicidade de lhe dar tudo aquilo que não tenho e aquilo que os meus progenitores não me puderam dar. Agora, com a aproximação do meu final de vida, posso ir descansado, pois alcancei tudo o que pretendia, por caminhos mais sinuosos ou não, por estradas mais pedregosas ou por auto-estradas bem mais seguras... Já plantei uma árvore, tenho uma linda filha e acabo de publicar um livro por mim escrito. Que mais poderia um homem como eu, desejar mais da vida se agora eu já tenho tudo o que queria e desejava?

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