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Se bem que os meus poemas sejam construídos na solidão dum permanente anonimato, sinto, por vezes, uma intensa necessidade de dá-los a conhecer, para expressar não sóa minha sensibilidade e forma de pensar, como para aquilatar do seu real valor. Assim, tenho-os mandado para concursos ou jogos florais para Portugal, Brasil, Itália, Argentina, e outros, onde os mais de trezentos prémios recebidos me levam a concluir que terão sido do agrado de muitas pessoas que se interessam por poesia.
Agora, antes que a dispersão me impeça de juntar tudo aquilo que, a meu ver, possa ter algum mérito, pensei reunir uma pequena parte dessa poesia em livro, deixando a parte restante para posteriores compilações, assim a disponibilidade de tempo e a disposição do momento, o permitam. Como a nada me sinto obrigado, tudo me seráconsentido na elaboração, ou não, de novos tomos.
Para o leitor menos atento que gosta apenas de folhear ouler um ou outro poema, éminha obrigação adverti-lo que o tema base de toda a minha poesia, éo amor, em todas as formas em que o mesmo se possa expressar. Por vezes, éo exaltar duma grande amizade, outras oêxtase na contemplaçãoduma pequena flor que desabrocha ou o deslumbramento dum pôr do sol no horizonte, o desfiar de tristezasíntimas ou uma confissão de mágoas que a minha exposição habitual tenta esconder. Como diz Florbela…
“… E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vêbrotar dentro da alma!
Ninguém as vêcair dentro de mim!...”
… guardam-se noíntimo, refreiam-se na expansão e analisam-se na intimidade.














