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A Construção do Terramoto de Lisboa
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A Construção do Terramoto de Lisboa
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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2016-07-02
Páginas:
100
ISBN:
978-989-51-7828-5
Colecção:
Viagens na Ficção
Género:
Ficção
Idioma:
Pt
Sinopse

A Lisboa de 1755 era uma cidade medieval rodeada por muralhas que impediam o seu natural crescimento. O Portugal de então era um país com um forte império colonial e em forte ascensão económica, especialmente pelos tesouros vindos do Brasil e colónias.

Ora, a tão poderoso reino (vejam-se as ofertas ao Papa), não ficava nada bem uma capital mal cheirosa, desordenada, pestilenta e cheia de barracos velhos e fedorentos, ruelas e quelhas apertadíssimas com muita trampa.

A minha história está alicerçada no pressuposto de que o rei e o ministro possam ter arquitectado a destruição da cidade, a zona baixa, no sentido de, aí, construir uma nova. Porquê? Porque esse era a melhor localização. Tinha água do aqueduto novinho em folha, uma grande plateia aberta ao estuário e protecção dos ventos frios feita pelas colinas laterais.

Imagina o leitor 300 canhões a disparar simultaneamente sobre a cidade? A terra treme? É o terramoto. E se a Lisboa de então fosse bombardeada em simultâneo por vários galeões ancorados no Tejo?

Porquê fazer a nova cidade?

D. João V, pai de D. José, fez construir o convento de Mafra. Quem o visitou sabe que é a beleza, a imponência e o luxo. Devo dizer que trabalharam cerca de 40000 escravos e cerca de 400 juntas de bois durante 30 anos. Ora, se o pai faz uma obra daquele calibre, maior que essa obra, só uma cidade. E o filho quer fazê-la para ser maior. Vaidade do Rei.

O Ministro e o rei, valendo-se da conjuntura que o absolutismo faculta, promovem a destruição. Os escravos que saem das obras findas de D. João V trabalham na edificação da nova cidade. Para garantir que não haverá obra maior, o Conde de Oeiras faz abolir a escravatura em 1769 o que impossibilita os reis futuros de edificar megalomanias.

Para garantir uma mentira, calam-se as testemunhas. Enforca-se, esquarteja-se, queima-se  e coloca-se a inquisição a controlar o pensamento. Se o rei diz que houve terramoto é porque houve terramoto e, quem chamar ao rei mentiroso, a pena é a morte com sofrimento agravado.

O que é verdade é que inúmeros monumentos nossos conhecidos estão por todo o país sem obras de restauro desde então. Se o terramoto teve a magnitude que especialistas dizem, de 8.5 a 9 na escala de Ritcher, nada teria ficado de pé. Se houve tsunami, que alguém me explique o porquê de a torre de Belém e o forte de S. Julião da Barra ainda lá estarem e, mais curioso, sem obras de restauro desde 1755. Só sofrem, periodicamente, obras de manutenção.

E, terminando, devo lembrar que não encontrei, nomeadamente em relação ao Mosteiro de Santa Maria de Belém (Jerónimos) e Sé de Lisboa, documentos comprovativos de reconstrução. Existem, sim, e em forte abundância, documentos de despesas de funcionamento do período referido, o que atesta que, mesmo no pós terramoto, o mosteiro e a Sé labutavam com normalidade. Tais documentos podem ser consultados nos arquivos nacionais.

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