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A Janela de Deus
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A Janela de Deus
Papel
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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2014-07-01
Páginas:
348
ISBN:
978-989-51-1745-1
Colecção:
Viagens na Ficção
Género:
Ficção
Sinopse

"A escrita da Sandra é elegante, profundamente simbólica (...) um texto oculto que, tal como no enigma da esfinge, só será facilmente decifrado depois de desvendado"

Professor Doutor Carlos Fernandes,
Psicólogo e Professor Catedrático da Universidade de Aveiro.


“As 36 crónicas varrem um universo vasto e surpreendem pela intensidade e engenho. Este é o primeiro livro de Sandra Figueiredo e pré-anuncia grandes sucessos literários a esta escritora disposta a tudo, para conquistar o coração e alma dos leitores.”

José Ramos e Ramos,
Jornalista RTP e Escritor


“Um livro de equações amorosas, espirituais e de sabedoria que irá, decerto, inspirar as mulheres portuguesas.”

Edlia Simões,
Psicóloga


“- Mas, eu não sei rezar. Não tenho tempo sequer.
Disse ele.
Aquele homem, agora da sua vida adulta, tinha sempre pouco tempo mas demasiados relógios. Relógios pesados e bonitos, com ponteiros implacáveis. Tal como o pai dela outrora, outro homem sem tempo, com relógios.
- Ensinas-me? – Perguntava o homem, de olhos pequenos de religião. Mas com as mãos grandes de fé que estava entrelaçada entre os dedos quentes.
Ela não sabia se devia ensinar. Queria ensinar-lhe outras coisas. Começou por lhe dizer, com a inocência que encontrou:
- Talvez devas saber que amar é como uma oração longa e muito consciente em cada palavra que se profere. É uma daquelas orações pesadas em silêncio enquanto Deus dorme e Lhe entramos pelos sonhos. (…)
Ela afastou-se e deu-lhe um silêncio suficiente para ele orar (amar). Deixou-o encontrar a importância dos relógios, dos seus tempos, e do amor.
Quando ele terminou de rezar, no meio do barulho da sua vida e das suas pessoas (…) procurou-a esganado no tempo negligente e injustamente longo que deixou a queimar nos relógios. Remexeu todos os bonitos e caros relógios e não a conseguiu encontrar nos ponteiros. O compasso parou de delirar, girando mais e mais devagar como um barulho incómodo e eterno que fica num tecto por cima de nós, a ruminar como um pecado mal resolvido.”

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