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Lucília Mateus nasceu a 19 de junho de 1963, em Castelo Branco, mas foi no Mosteiro de Oleiros, uma aldeia Beirã, onde o tempo corre devagar, que guardou as memórias mais luminosas da infância.
Ali, entre montes, silêncios e o cheiro a pão acabado de cozer, descobriu que a vida é feita de gestos simples que se tornam eternos.
Os avós maternos foram o seu primeiro mundo.
A avó Maria, com mãos sábias e firmes, transformava o leite das cabras em queijo, como quem molda a própria luz e, à noite, à luz da candeia, no calor da fogueira, rezava o terço por todos os seus filhos - e como gostava de se juntar à sua avó, juntar as mãozitas e rezar.
O avô José, homem de poucas palavras e muitos saberes, ajudava a nascer as pequenas crias e construía escadas de madeira para vender, enquanto reservava para os netos cadeiras coloridas, feitas com a ternura de quem cria para durar.
Eram dois anjos muito humanos, guardiões de uma infância feliz.
E foram eles que acenderam em Lucília o desejo de ensinar, porque ensinar, para ela, sempre foi um prolongamento do amor que recebeu.
Lucília é irmã dedicada e amorosa e quando os irmãos nasceram, ela e a mãe embalavam-nos entoando canções tradicionais da Beira Baixa.
E as duas vozes, unidas no amor, ainda ecoam dentro dela com saudade.
Aos 14 anos começou a escrever poemas, como quem conversa com o vento e, mais tarde, participou em concursos radiofónicos e em revistas, onde duas das suas histórias se destacaram pela sensibilidade e pela forma como tocavam o quotidiano.
Em 1992, concluiu a formação em Ensino Básico, variante de Português e Francês, no Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior de Educação, começando a lecionar nesse mesmo ano.
Desde há dez anos que se fixou, como docente de Português, no Agrupamento de Escolas de Ansião onde semeia palavras, sonhos e futuro.
A escrita nunca a abandonou.
Tem dado voz às marchas populares da sua escola, criando letras que unem tradição e alegria. Em 2024, no cinquentenário do 25 de Abril, escreveu um poema em homenagem aos homens e mulheres que devolveram a liberdade ao país, declamando-o no sarau cultural, com a emoção de quem sabe que a palavra pode ser memória e promessa.
Já em 2026, participou em diferentes concursos literários, com textos inéditos.
Destes textos, alguns foram selecionados para integrar coletâneas de várias editoras: Chiado Editora, Editora Factual; Cordel de Prata e Casa do Povo.
Determinada, sensível e criativa, Lucília encontra na família o seu porto seguro, ama os seus animais e tem na cadelita Pintas a companheira fiel de passeios que lhe lavam a alma.
Adora a água, a natureza, o verde que a acalma e lhe devolve o silêncio necessário para criar.
Entre a sala de aula e a poesia, entre as raízes do Mosteiro e o horizonte que constrói com as palavras, Lucília Mateus, sempre com o bichinho de contar a sua história, faz da vida um lugar onde a ternura é força e a memória é luz.
Paula Cristina Silva


