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“De súbito, uma voz ergue-se na noite, e fala comigo.
Fala sobre os dias passados numa aldeia beirã, perdida no meio de serras, perdida no fundo de vales e de ribeiras que correm livres por entre pedras polidas.
Uma voz suave e cristalina recorda-me o tempo em que se “bulia” a terra para poder alimentar as muitas bocas de uma família de agricultores; em que se lavrava no prado com um arado, puxado por uma junta de bois; em que se pastavam os rebanhos pelos montes, no meio de tojo, de fetos e de agulhas de pinheiro ou no campo, por entre margaridas amarelas e brancas, pequenas, cheias de pólen e que se destacavam por entre a erva verde e fofa das hortas.”
“Maria olhou o quadro e abanou a cabeça, devagar, como que aprovando o gesto.”
A Voz descrita pela autora é simplesmente uma das muitas vozes que se recusam a calar as Memórias do Passado: os segredos, as alegrias, as tristezas, as perdas que se escondem na sua Infância e que se transformam em histórias que nos convidam a desfrutar a vida.
Estas Vozes são homenagens aos seus antepassados e a uma forma de estar simples e genuína vivida outrora numa Aldeia Beirã.
João Marcelo Luís














