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Ossónoba
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Ossónoba
Papel
17,00
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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2014-07-01
Páginas:
590
ISBN:
978-989-51-1503-7
Colecção:
Compendium
Género:
Não-Ficção
Sinopse

Ossónoba, cidade proto-histórica do Reino Turdetano, actual Algarve, foi fundada por Cartago no ano 500 a. C., após destruição de Tartessos, com o propósito de concentrar no seu porto fluvial o abundante minério proveniente das jazidas do barlavento, e de outros locais mais afastados. Exuba/na, nome original da fundação, brilhou como cidade no período cartaginês; pela mesma causa resplandeceu no Império, tornando-se economicamente poderosa, famosa e cosmopolita. A designação Ossónoba é da era Imperial. O Reino Turdetano, culto, com a constituição em verso, era um povo pacífico, razão por que não pegou em armas contra o Império. A atitude valeu a distinção de ser convertido em República de Ossónoba, nome da principal cidade, sua primeira capital.
O abrupto declínio da cidade acontece no final do I, início dos II séculos. O abundante cobre, e outros, deixa de interessar, porque substituído pelo ferro. A cidade cai no esquecimento, e, mais tarde, cai o Império Romano do Ocidente: vêm os Bárbaros, de seguida os Árabes, em 711. Ambos os povos somaram cerca de 900 anos, até à R.C. Ossónoba continua esquecida, uma saudade.
A Boa Nova, anunciadora do futuro cristianismo, entra no porto fluvial da já desvalorizada Ossónoba, no ano 36 da era moderna, acontecendo que, só depois dos anos 180/182, se formou, na região, o núcleo de fé cristã, cuja vida religiosa foi muito difícil e penosa, durante os três primeiros séculos, dos quais a Igreja cristã nada sabe. Em 304 o bispo de Ossónoba, Vicente, está presente no concílio de Elvira – o primeiro da Península – onde tem assento no 8º lugar. Morre em Valência nessa altura, ferozmente perseguido pelos pagãos.
Regressa a Ossónoba sem vida, trazido pelos companheiros que o levaram. Só depois do Édito de Milão é depositado no cabo inominado do Sagrado Promontório. Nasce o culto dedicado ao martirizado bispo de Ossónoba, Vicente, que se espalha pelo mundo cristão. Feito santo no século VI, torna-se numa das figuras mais emblemáticas e universais da Igreja Cristã Apostólica Romana. D. Afonso III reconstituiu na exacta região de Ossónoba – não em Faro – a primitiva diocese na República de Ossónoba.
A tradição, deficientemente fundada, desconhece a origem e a causa da fundação de Exuba/na, assim como a causa da sua riqueza, confundindo-a com o cristianismo nascente. O vulgo, não o facto histórico – especialmente a partir de 1933, como consequência de circunstância acidental – quer Ossónoba no subsolo do Largo da Sé. O inebriamento de Ossónoba ser Faro, tem embotado o verdadeiro sentido da realidade em causa. A cidade possui suficientes pergaminhos históricos para prescindir da incerteza que a envolve. O seu valor histórico rejeita conviver com tão persistente como inconsistente desejo, quando não uma afirmação. Neste contexto, uma das maiores honras de Faro, é ter sido durante alguns séculos, segunda capital da República de Ossónoba, mas disso pouca gente fala, melhor, ninguém fala, provavelmente por não se valorizar o acto, ou não crer nele.
Ossónoba, entretanto, resistiu aos séculos, quase despercebida esteve sempre presente, continua patente aos olhos do mundo.

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