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“Eu quis dizer que estava bem.
Achei as palavras, abri os lábios e senti a urna em meu peito.
Eu ainda estava segurando as cinzas do meu filho.
Perdi as palavras.
Assenti com a cabeça.
A psiquiatra colocou a mão em meu ombro.
“Você pode trazê-lo com você.”
Eu quis sorrir.
No zoológico de Valencia, na Espanha, uma chimpanzé chamada Natalia perdeu seu filho duas semanas depois do parto.
O bebê morreu em seus braços e ela não o soltou.
Por três meses, carregou o macaquinho morto como se ele estivesse vivo.
O corpo foi se deteriorando, apodrecendo, até se tornar apenas um esqueleto.
A equipe do zoológico precisou explicar ao público por que Natália andava pelos cantos abraçada a um cadáver.
Três meses, pensei.
Patrícia olhou para o relógio.
“Vamos começar.”
Ela apontou para o banheiro: “Tomar banho, escovar dentes, vestir uma roupa limpa”.
Concordei e ela continuou: “Te vejo na cantina em meia hora”.
Patrícia apontou para o mapa afixado no quadro, ao lado do cardápio, e se dirigiu à porta.
Quando ela saiu, olhei de volta para a janela, mas, desta vez, só vi as grades.”














