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No meio da praça Conde de Agrolongo, no coração daquela clareira enorme e inesperada, criada pela súbita abalada das gentes, Alírio ficou sozinho, enraizado no chão, especado a olhar para o edifício fumegante.
Pegou no revólver ferrugento que levava consigo, confirmou que estava aperrado, levantou o braço e disparou dois tiros certeiros para o ar.
Ouviram-se, de rajada, três disparos.
Dois foram secos e perderam-se nas nuvens fumacentas.
O terceiro foi húmido e, saído por canalização mais traseira, fez estragos irrecuperáveis, por calças e ceroulas, forros e costuras.
Assustou-se!
Em desespero de causa, Alírio, solitário e borrado até aos ossos, no meio daquela crescente clareira humana, dirigiu-se para a delegação distrital do partido comunista e bateu à porta, com a coronha da arma que ainda empunhava.
Para seu espanto, alguém a foi abrir.
Ali se lavou e mudou de roupa, antes de sair, direto à Bedford vermelha de mil novecentos e sessenta e seis, de caixa aberta, onde já todos o esperavam.
Crónicas de um Tempo Quente é uma novela de ficção, em que toda a narrativa se desenrola no Minho, durante o Verão Quente de 1975.
É uma homenagem às suas gentes e a todo o povo português: um povo católico e patriótico, emotivo e valente, enérgico e decidido, mas, sobretudo, pacífico e harmonioso.
Gente boa, toda ela, que me espicaçou a escrever este ajuste de contas com um passado recente, tantas vezes esquecido.
Ajuste de contas no melhor sentido da expressão.
Com um estilo que, alternando entre o sério e o grotesco, entre o religioso e o brejeiro, talvez toque o leitor com um sorriso, talvez lhe arranque uma gargalhada, talvez até uma lágrima. Talvez…
António Duarte de Araújo















