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Ofício - Ensaios de um poeta
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Detalhe
Editora:
Chiado Books
Data de publicação:
2020-12-14
Páginas:
158
ISBN:
978-989-52-8107-7
Colecção:
Prazeres Poéticos
Género:
Poesia
Idioma:
Português/BR
Sinopse

Com meu peito aberto, sangro os olhos (uma carta)

 

Nesse tempo, nada parece estar muito bem. Não, nada está bem. Só as tuas poesias – uma linha direta com a vida.   

Não sei se ouves, ao fundo, o barulho de sirenes, de vidros se quebrando, de gritos repentinos nas ruas. Eu estou quieto, respirando por trás de tecidos mais ou menos grossos, observando o mundo por uma tela retangular e brilhante. Essa tela não me protege dele – pelo contrário, na maior parte das vezes ela o reflete distorcidamente, fazendo das suas arestas pontas ainda mais afiadas.

Mas, por sorte, muita sorte, através dela também pude ler o teu livro.

 

“Sinto falta de mim na intensidade,

No coração pulsante da manhã”

 

Em meio a esse seara de ansiedade, o teu livro tem o efeito oposto: cada página, cada verso, é um solavanco – é um veneno antimonotonia, pra ficar numa citação que, acredito, vais gostar.

Isso não quer dizer que tua poesia seja só alegre, é claro que não. Ela é pura intensidade.

Pois enfrentar a vida, seguir o seu caminho com a coragem de olhar para todos os lados, para fora e para dentro, quer dizer também se conectar com tudo, alegre e triste, efusivo e desesperador.

Tu não se furtas de nenhum sentimento porque sabe que ser um corpo no mundo é ser atravessado por todos eles.

E que é preciso se proteger, mas também, com o peito aberto, se deixar sangrar.

Eu penso, inclusive, que uma das formas de se proteger é exatamente essa: rasgar o peito e o verso. Escrever esses poemas em que quase posso sentir o teu corpo se debatendo, procurando uma maneira de estar no mundo. E encontrando, na própria página em branco, uma maneira de existir.

 

“Demonstrar fraquezas é o nosso forte”

 

O mais incrível é que, lendo o teu livro, eu sinto o mundo todo atravessar o meu corpo também.

E fico extremamente feliz que muitos outros vão poder experimentar o universo a partir da tua voz única – ao mesmo tempo desse e de todos os tempos.

E o que eu desejo ao mundo, hoje, é isso: mais Andrew.

 

“Estilo é conseguir ouvir, não a sua voz,

Mas as vozes que se tem”

 

Com amor e saudades,

Beto.

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