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O sonho da libertação nacional foi capturado, torcido, transformado numa distopia em que a violência, a mentira, o medo e a ganância se tornaram os pilares do regime.
A independência formal foi usada como escudo para ocultar uma colonização interna, levada a cabo pelos próprios filhos do país, que se tornaram os piores que o antigo opressor.
O poder foi monopolizado pelo MPLA, que desde a proclamação da independência não largou o aparelho do Estado, transformando-o numa extensão de si mesmo.
Essa estratégia é um mecanismo de controlo absoluto sobre a população que afecta as aldeias, as liberdades, os meios de comunicação e os recursos.
A história oficial foi reescrita para glorificar o partido, onde o culto da personalidade foi institucionalizado, e o povo foi tratado não como protagonista da história, mas como massa a ser manipulada, usada e descartada conforme às conveniências do momento.
Durante estas cinco décadas, a violência não cessou.
Apenas mudou de forma.
A guerra civil, prolongada e usada como justificativa para a manutenção do poder absoluto, ceifou vidas e dividiu famílias.
A guerra arrasou comunidades e aprofundou a pobreza no país.
Mesmo após a assinatura do cessar-fogo do memorando do Lwena a 04 de Abril 2002, o país nunca conheceu verdadeira paz.
Conheceu sim, um silêncio forçado, mantido à custa de repressão, desaparecimentos, assassinatos selectivos, perseguições políticas e sensura brutal.
A paz prometida transformou-se em estabilidade armada, onde o regime governa pela intimidação e pelo medo, e qualquer tentativa de questionamento é sufocada com brutalidade.
O MPLA revelou-se uma estrutura de dominação que sobrevive do sofrimento colectivo.
Os seus dirigentes, maioritariamente enriquecidos de forma obscena, construíram fortunas à custa dos recursos do povo como: o Petróleo, Diamantes, Madeiras, Pesca, Terra agrícola.
Tudo foi transformado em propriedades de poucos, ao passo que, a maioria da população vive sem serviços básicos, sem comida, sem saúde, sem segurança, sem emprego e sem qualquer perspectiva de futuro.
A desigualdade em Angola é obscena.
Não é apenas económica.
É estrutural, institucional e profundamente violenta.
É uma desigualdade entre os que mandam e os que obedecem, entre os que vivem em condomínios murados e os que morrem nas ravinas, entre os que viajam em jactos privados e os que não têm pão.
O país tornou-se numa colónia de si mesmo.















