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Por entre a solidão das fragas
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Por entre a solidão das fragas
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Detalhe
Editora:
Astrolábio Edições
Data de publicação:
2025-01-15
Páginas:
302
ISBN:
978-989-37-9049-6
Género:
Ficção
Idioma:
PT
Sinopse

O romance “Por entre a solidão das fragas”, é-nos apresentado numa escrita esquelética, sem gordura, tal como a terra magra das ladeiras transmontanas, com os piçarros logo à flor da relha da charrua e do arado.

Fontes de Carvalho descreve magistralmente de forma crua e brutal o viver de um povo massacrado e teimoso de uma aldeia pobre e esquecida do Nordeste Transmontano! “Um povo rural, castigado e feliz”, no dizer de Aquilino.

O romance desenrola-se nas décads de 30, 40 e 50 do século passado, em que o povo vivia arrochado e os costumes eram caninamente vigiados pelos três poderes: o prior, o regedor e o burguês. 

Mesmo assim, punham a honra acima de tudo, um povo que Miguel Torga questionou: “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão!”.

- Cala-te, mulher. Negro é o carboeiro e branco o seu dnheiro.

- Mas tu queres bander a tua filha a um demónio daqueles, a um soberbão daqueles??! Tu só bês dnheiro, home de Deus? O dnheiro no se come. 

E a honra? Onde fica a honra?- perguntou irritada, batendo no peito com a mão aberta.

- Sei lá eu o qu´é isso da honra? Olha, fica prós pacóbios c´mo tu, qu´acreditam nessas cousas. 

Enquanto t´impingem essas lérias, eles vão-se gobernando à nossa custa e inda se riem e inda nos tchamam tchabascos e tchotchos! 

Dai-me dnheiro e no me dedens conselho. 

Dou rezão à nossa Lucinda.

- Eu tamãe penso c´mó Pai. A honra tamãe no se come e às bezes é só pr´átrapalhar a gente – disse a Lucinda, sentindo-se apoiada pelo Pai. 

-A gente bem oube o padre a decer cousas do altar abaixo, mas óspois bem bai jantar a casa dos ricos e a combiber co eles. 

E alguns no têm honra ninhuma. 

Nuncá tiberam nem eles nem os seus antepassados – disse abanando afirmativamente a cabeça. 

– Palabras de mel e coração de fel – rematou indignada.

- Pois não! Claro qu´a honra tamãe no se come, mas ajuda-nos munto a enfrentar os dias menos bôs – disse filosoficamente a Tia Germana.

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